quarta-feira, 21 de julho de 2010

Preparando os tomates

Às vezes fico imaginando o que seria de mim hoje se algumas pessoas não tivessem me incentivado a continuar os estudos. Fico aliviada, e ao mesmo tempo inconformada, por lembrar que a maior parte desses incentivadores não é do meu município ou cresceu em outra cidade. Algo que me marcou muito foi quando a coordenadora do curso de Jornalismo perguntou durante a aula como que nós, alunos, começamos a gostar de ler. Fui a única que contou uma história diferente. Comecei a gostar de ler depois que uma menina veio da Capital para estudar na minha sala e nos tornamos amigas. Ficava admirada com as coisas que ela sabia e eu nunca havia ouvido falar! O que me deixa mais triste é me dar conta de que precisei ir embora para abrir a mente e começar a ver o mundo com outras lentes. E ainda que, em certas circunstâncias, você é mais valorizado lá fora. E quando volta, encontra a cidade do mesmo jeito que há cinco, dez anos atrás. Alguns dizem que ela nunca muda. Tem até comunidade no orkut, “Apesar de tudo, eu amo Imaruí”, “Imaruí: nasci, cresci e fugi”!!! E pensar que ficávamos felizes quando chovia e o ônibus não podia trazer quem morava no interior. Todo mundo, inclusive os alunos do Centro, perdiam aula.
Agora, com a desordem da nucleação das escolas, me pergunto quantos talentos ficarão pelo caminho, isolados, esperando que alguém venha e diga “arranja um emprego fora bobo, aqui tu não tem futuro”. Afinal, se com os alunos do município já é assim, i.ma.gi.ne com os universitários... Corajosos que mantêm um único ônibus, arriscam a vida na estrada, e se permitem conhecer um
universo de coisas. Vou preparar os tomates para atirar no
primeiro que for para o palanque e dizer “não vamos deixar nossos jovens irem embora”.

Um comentário:

PAGINA ABERTA disse...

Agora tudo esta esclarecido com tanta plenitude, sentimentos que ficaram, sentimentaos que se foram, sentimentos que arrumam-se ao decorrerer do tempo, e de uma caminhada, assim é a vida.
Umas cidades crescem outras tampoucas e nós desapercebidos olhamos o tempo passar como se o mundo é só aquilo que conseguimos ver em frente aos olhos, aprendemos, desaprendemos, erramos e acertamos, mas uma coisa é certa, tudo teve um inicio esse inicio se dar a nossa terra natal, que por menos tenha nos dado oportunidade de crescer na vida, ela vai estar sempre ali. No seu jeitinho nos esperando, filhos desgarrados por um sonho, que quase em sua maioria que não são alcançados, mas ela sempre vai estar ali com seu cheirinho de terra, de verde, de mar e ternura, com a humildade de sua gente nos aconlhendo no retorn, felizes ou não.
Minha querida jornalista já tive este sentimento, e não sabes como também me faz a falta a simplicidae de minha Imbituba querida, quando tenho que deixa-lá , mas o mais importante é o que eu sei, ela vai estar ali no mesmo lugar, com a mesma gente e de abraços abertos a me esperar.